terça-feira, março 25, 2008

2º Jantar Beneficente "Cats & Dogs" - 1 de Dezembro de 2007

No passado dia 1 de Dezembro de 2007 realizou-se no Café das Artes no Porto, o 2º Jantar Beneficente “Cats & Dogs” para recolha de fundo a favor dos animais abandonados.

Este jantar bastante animado contou com a presença de 108 pessoas e iniciou com uma projecção do trabalho que tem sido desenvolvido na Aanifeira nos últimos 2 anos e uma mensagem deixada pelo Padrinho da Aanifeira (que não pode estar presente) – Ricardo Azevedo. Seguiu-se o jantar e convívio entre os presentes, findo do qual, e por carolice, se realizaram umas partidas de “bingo” com atribuição de prémios aos felizardos que prestavam a máxima atenção à cadência dos números. A noite terminou com atribuição de mais alguns prémios como forma de agradecimento à participação dos convidados.

A Aanifeira gostaria de agradecer a presença e contributo destes 108 amigos, por transformarem este evento num enorme sucesso. Queremos agradecer igualmente aos muitos sócios e amigos que apesar de não poderem estar presentes, não quiseram deixar de contribuir, recompensando assim o esforço que esta direcção tem feito para realizar esta grande obra e dar mais um importante passo para a concretização dos seus projectos.

Dia após dia, os animais vão tendo esperança e motivos para sorrir, porque ainda há verdadeiros seres Humanos que se preocupam e fazem algo por eles. A todos os que nos ajudaram, ajudam e continuarão ajudar, e em nome dos animais, o nosso MUITO OBRIGADO.

Victor Correia de Barros

Veja o vídeo do Jantar assim como o vídeo da mensagem deixada pelo Padrinho da Aanifeira – Ricardo Azevedo



Também pode ver este vídeo no Youtube em http://www.youtube.com/watch?v=najN3SsIhnY

Também pode ver este vídeo no Youtube em http://www.youtube.com/watch?v=rrSZbDf9w5A

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Visita do Padre José Carlos à Aanifeira

No dia 4 de Outubro de 2007 o Padre José Carlos da paróquia de Mosteirô (freguesia onde a Aanifeira está sedeada) visitou e abençoou o albergue e os animais que protegemos.
Esta visita mereceu umas palavras do pároco, assim como alguns e-mails de felicitação pela iniciativa que recebemos e que passamos a transcrever.
Um pouco mais abaixo poderá ver as imagens desta visita.
Victor Correia de Barros
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No dia 4 de Outubro de 2007 foram benzidas as instalações do canil em Mosteirô. O dia litúrgico de São Francisco de Assis foi o escolhido para a celebração tão desejada desta Bênção. Não podia ser data mais significativa. Pelas 10.30h fui recebido pelos responsáveis, médico-veterinários e colaboradores, bem como por particulares ocasionalmente presentes, por diversas razões. O acontecimento tomou-se festa. A perícope do livro do Génesis (Gén 1, 1.20-21) serviu de base à reflexão e à oração. O ritual da Bênção aconteceu no gabinete médico e concluiu-se com uma célebre oração de São Francisco de Assis. Após a cerimónia percorri todo o canil, conhecendo as instalações e aspergindo-as, bem como aos animais nos diversos locais onde se encontram albergados. Este percurso permitiu conhecer a realidade e todo o espaço, as necessidades e os projectos, bem como as motivações e a dedicação de quem o dirige. E um trabalho nobre, e digno de realce e apreço.
Foi-me pedido que escrevesse o que fui partilhando em reflexão e em conversa. Seria difícil ser exacto nas palavras, mas procurarei deixar algumas ideias.
Deus criou todas as condições para a felicidade do homem. O livro do Génesis narra segundo o estilo que lhe é próprio, a criação de todas as coisas. Fala da criação do Homem, como ser especial no meio desta obra de Deus. Ao homem Deus confiou a criação, e ordenou fecundidade. E amando que o homem é fecundo e vive feliz realizando-se. Tudo o que Deus criou complementa e serve a felicidade humana. A natureza é um paraíso, um “cosmos”, onde tudo tem um equilíbrio que é necessário respeitar. O desrespeito conduz à desagregação. O homem é hoje causador de desequilíbrio, e já sofre as consequências. A busca desenfreada dos seus objectivos leva à alteração deste equilíbrio natural. Algumas consequências do desequilíbrio podem ver-se no abandono e maus-tratos dos animais. E o mau uso da liberdade que conduz para estas atitudes.
Este canil pretende complementar em auxílio o equilíbrio a manter na Natureza O seu funcionamento e finalidade é antes de mais um apelo real ao bom uso da natureza, procurando consciencializar a população para o respeito pelos animais e pela natureza. E verdade que os animais não precisam de ser tratados como se fossem pessoas, exagero que algumas pessoas cometem, mas devem ser tratados segundo a sua condição, e não do modo como realmente muitos os desprezam. A maneira como as pessoas lidam com a natureza, e com os seus animais, diz muito do que é cada um na maneira de ser, e na formação pessoal e educação cívica que cultivou e tem. A forma errada de proceder é um sinal doentio da decadência da sociedade em que vivemos. São Francisco de Assis, cuja memória se celebra, foi atento à ecologia e seus valores. Viveu amando a natureza, ao ponto de escrever belíssimas orações, e, chamar irmãos aos elementos que a compõem, e, por isso se tomou para a Igreja o padroeiro dos ecologistas. A sua vida é uma interpelação ao respeito pela natureza. A sua acção sempre promoveu o bem e a ordem e respeito pelos animais e pela natureza. Hoje, pedir a bênção para este canil, é antes de mais confiar na luz de Deus para melhor servir esta comunidade humana, apelando ao respeito pela natureza, e praticando actos de beneficiação sanitária e de bons tratos da natureza e dos animais. A bênção não é um rito mágico de Deus, mas uma atitude nossa de reconhecimento dos seus dons e de predisposição a melhor o servir e amar, fazendo bom uso dos Dons que nos concedeu. Por isso a oração principal nos comprometia em desejo e propósito, como pedíamos: “concedei que façamos bom uso, segundo a vossa vontade”.
Faço votos que esta instituição — o canil - consagrada a Deus e por Deus abençoada, se tome para cada pessoa desta terra e deste concelho uma lição de respeito pelos outros, a começar no necessário respeito pelos animais e pela natureza.
Pe José Carlos

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Caros amigos, bem hajam pelo trabalho e amor que dedicam aos seres indefesos. Raramente vou à missa, mas se estivesse aí por perto iria a esta com toda a certeza.
Cumprimentos
Rosa Marques

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Caros Amigos,
Só para vos relembrar o quanto gosto de todos Vós e admiro o vosso trabalho. Estando longe fisicamente (mas perto, muito perto emocionalmente), não poderei estar presente na bênção dos vossos animais, mas vou estar convosco em pensamento.
Tenho vivido momentos difíceis por aqui, porque estou sozinha numa luta por salvar alguns dos (muitos) animais que me aparecem à porta, e sucessivamente os
serviços da Câmara vêm tentar levar-me os que ainda não consegui socorrer, mas apesar de não ser religiosa (pelo menos não na forma convencional), acredito que há alguma força exterior a mim que me dará sempre energia para nunca desistir. Por isso, espero que a bênção dos vossos animais consiga proteger todos os animais...
Amanhã, por volta das vinte horas, se puderem, juntem-se ao gesto simbólico de acender velas e colocar no parapeito das janelas em memória dos animais que morreram e como sinal de esperança pelos que ainda sofrem da violência humana.

Um beijo muito sentido da vossa amiga Eugénia Ramiro

PS: Desculpem se estou com um discurso amargo, mas as condições em que continuam a viver milhões de animais angustiam-me... Acabei de saber que um gato adorável
que vivia na rua, que íamos agora esterilizar, morreu atropelado. O Amor que lhes tenho não chega para os salvar a todos... Nestes momentos o único consolo é ir abraçar fortemente as minhas três cadelas e os meus três gatos e dar graças a Deus por pelo menos eles estarem bem. Mas e os outros?...
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Olá,
Parabéns por esta iniciativa, pois os nossos animais bem precisam de apoio humano e divino.
Já agora gostaria de saber quando é que tenho de pagar a quota anual.

Um abraço,
Manuela Ramos Valente

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Caro Vitor,

è sempre agradável receber noticias da Aanifeira.
Todavia amanhã é-me impossivel estar presente na benção dos nossos queridos animais.
Hoje "adotei" mais um cão abandonado e dois gatinhos que me apareceram á porta.
Já são nove animais ao meu cargo .
Felicidades e os meus mais respeitosos cumprimentos
Beatriz Ferreira

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Não me será possivel estar hoje na sessão mas não posso deixar passar o dia de hoje sem vos prestar a minha homenagem, por tudo o que têm feito...presto-a também a todos os animais, aos que já partiram, aos que habitam pelas nossas ruas, aos vitimizados pelo abandono e maus tratos, aos que ajudamos e aos que partilham conosco um lar...a minha homenagem estende-se também a todas as pessoas que de alguma forma encontram um meio de estabelecer um elo de ligação com estes seres, às que os ajudam incondicionalmente mesmo às que gostariam de ajudar mais e não podem...hoje trago ao peito um laço azul e preto...não pela sida, nem pelo cancro da mama mas sim por algo de igual valor, de igual luta, que tem um dia mas que infelizmente não alcançou ainda o patamar merecido...A prevenção é mais fácil que qualquer um dos outros e o tratamento menos doloroso...Passa somente por ver os ANIMAIS como seres tais como nós, que têm direitos...direito a uma uma casa, uma familia, cuidados de alimentação e higiene e carinho...ou simplesmente uma ajuda, um retirar da rua, uma palavra amiga, um resto de comida, um cartaz de ajuda, umas horas no mês, uma boleia, um donativo, um e mail...

Bem haja a todos eles e a todos os que lutam por um mundo melhor...um mundo em que os animais nao sofrem maus tratos ou abandonos...um mundo mais "cão" porque afinal o humano é bem mais cruel...

Mafalda

sexta-feira, agosto 24, 2007

Parque da Pequena Flor

11 de Agosto de 2007. O dia em que a Aanifeira deu um salto qualitativo na vida dos animais que alberga.

Acredito que todas as vitórias na vida de uma associação animal são conquistadas de forma árdua e que a paciência e perseverança são as chaves para se conseguir um trabalho sério e vocacionado apenas para aqueles que albergamos.

No nosso caso particular, a falta de recursos financeiros obriga-nos a desmultiplicar-nos em bater em mil portas, levar com novecentas ausências de resposta (que são bem piores que um não), com noventa e nove promessas que nunca serão cumpridas, até que uma porta finalmente se abre. Agarramo-nos a essa porta com unhas e dentes e em nome daqueles que foram menosprezados por uma sociedade que não cumpriu com a sua obrigação, agradecemos profundamente este gesto de rara generosidade.

Foram dez árduos meses para se conseguir várias toneladas de aterro e alguém que se predispusesse a levar uma máquina capaz de efectuar uma terraplanagem. O parque onde supostamente os animais deveriam ser soltos para poderem espairecer, queimar energias e stress acumulado, já tinha o seu cercado há quase um ano, mas devido a um enorme desnível que originava acumulação de águas pluviais, nunca chegando a secar nem mesmo nos períodos mais secos, encontrava-se inactivo.

Mas finalmente esse dia chegou!

É indescritível o que sentimos na primeira vez que soltamos os primeiros cães no parque. Só posso mesmo descrever o que vimos.

Optamos por soltar os que na nossa perspectiva se encontravam nas piores condições. Aquele malfadado segundo corredor do pavilhão, onde a luz penetra indirectamente oriunda das janelas laterais do primeiro e terceiro corredores.
Escolhida a primeira box, onde residem seis cães entre o pequeno e médio porte, abrimos a porta da mesma. Os olhares assustados encostaram-se na parede do fundo, sem saberem muito bem o que fazer. “Vamos, venham” dizíamos. A porta da box completamente escancarada, caminho aberto para a saída. Encostavam-se ainda mais no fundo. Chamamos, daquela forma característica que todos se habituaram a chamar os cães, beijinho no ar “vem pequenino, vem cá”. Nada! Foram dias, semanas, meses, anos sem nunca ter saído da box… “é este o nosso mundo, porque querem que saiamos?”
Bem… o melhor mesmo é pegar neles e mostrar o que temos para lhes dar. Foi literalmente pegar neles ao colo, pois não estávamos a contar com aquela reacção e por isso nem trelas levamos. Tarefa nada fácil nalguns casos. Lembro-me de uma cadela que deve ter ingerido chumbo durante todos estes anos tal era o seu compacto peso.
Chegados cá fora, quase posso jurar que a primeira reacção foi arregalar os olhos. Pousamos no chão, olharam em redor, incrédulos com o que viam. O dia estava magnífico, como que a celebrar este lindo acontecimento. Após uns breves segundos e palavras de incentivo a alegria rebentou. Correr, brincar, saltar, cheirar novos cheiros, rebolar na terra, respirar ar fresco… VIVER! A alegria deles é absolutamente contagiante. Demos por nós a participar nas corridas e brincadeiras.
Alguns dos mais apáticos dentro das boxes, ganhavam vida cá fora, os velhinhos rejuvenesciam décadas, os que tinham uma pata partida ou defeituosa, corriam como se tivessem oito patas, até o Billy que é cego galgou todo o terreno, apercebendo-se que este tinha limites quando encostava a cabeça nos muros de vedação, voltando logo quase a trote noutra direcção exibindo a sua alegria cavando a terra e levantando poeira para todos os lados.
As reacções eram as mesmas, em todas as boxes. Primeiro medo, recusa em sair e cá fora, explosão de alegria.
Passado o tempo estipulado, voltavam com toda a tranquilidade para a box, visivelmente felizes e naturalmente um pouco fatigados.

Foi um pequeno passo dado. Para os animais que tiveram a felicidade de vir cá fora, tenho a certeza que ganharam novo ânimo, fé e esperança numa vida um pouco melhor, mesmo que esta seja o resto passada na Aanifeira.
Todavia existem neste momento cerca de 450 cães na Aanifeira e os voluntários são manifestamente insuficientes para poderem proporcionar a eles tantas saídas quanto o desejável. Para se ter uma ideia, nesse sábado apenas nos foi possível soltar 31 cães. Para quem não tem noção, isto necessita de ser gerido de forma a não haver perigo quer para os animais, quer para as pessoas. A gestão de um canil é bastante complexa. Precisamos de conjugar feitios e formas de estar, uns cães territoriais, outros submissos e ainda a existência de algumas hierarquias já estabelecidas que não podem ser perturbadas sob risco de quebrarmos o equilíbrio já existente.
Ou seja, a única forma de colmatar isso seria com um número de voluntários suficientes, com disponibilidade e fiabilidade para poderem proporcionar a todos os animais um momento periódico de liberdade que lhe daria uma qualidade de vida muito, mas muito superior à que dispõem neste momento.
É o nosso próximo desafio.

No link em anexo, poderá visualizar algumas imagens desse memorável dia.


http://aanifeira.googlepages.com/ParquedaPequenaFlor.pps


Victor Correia de Barros
Presidente

quarta-feira, agosto 08, 2007

Jaqueline

Ola meus amigos,
todos que acompanharam minha luta para colocar minha gatinha Jaqueline no convivio de meus demais gatinhos.

Infelizmente perdi esta luta!

Fiz tudo que foi possivel, quem me conhece sabe que durante 50 dias, vivi em função de salvar sua vida, dei todos os remédios, levei-a a Clínica todas as vezes que foram pedidas, as vezes duas, tres vezes por dia, passei noites e mais noites em claro, dei a ela toda segurança possivel.

No sabado, ela começou a desistir, começou a respirar mal, dando sinais de que estava cansada, começou a se isolar, parou de comer, se mantinha deitadinha em um canto e me olhava de longe, falando coisas que naquele momento eu não entendi.

Ontem, diante de sua piora e tentando de todas as formas salva-la, fizemos uma transfusão de sangue, acreditando que (pelo que foi passado) ela ressuscitaria em "meia hora", mas ela de fato não queria mais tentar nada e não foi isso que aconteceu.

Sua temperatura ja estava baixando, de fato estava respirando muito mal e me olhava como se falasse: "mamãe deixa eu descansar"...

Não me restou outra opção que não fosse obedece-la, atende-la.

Resolvi então, tira-la do soro, coloquei-a em meu colo, embrulhadinha, como se fosse um bebe, que de fato era, o meu bebe, contei que seus irmãozinhos que partiram estariam esperando por ela, onde ela teria de volta suas perninhas, sua saúde, sua alegria, sua vivacidade e esperei que chegasse o seu sono, sabendo que ela não acordaria mais.

Mas ela foi com dignidade, perdi ontem uma heroina, ela lutou e sei que lutou por mim, sei o quanto me amava, mas ficar comigo estava exigindo muito dela, deixei que ela optasse por ela mesma.

Claro que estou em frangalhos, perdi meu bebe, mas tambem sei que ela agora, neste momento esta feliz, correndo brincando e vivendo em um lindo jardim.

Jaqueline, quero que saiba que fiz o que pude para mante-la aqui, se em algum momento errei, minha querida, peço desculpas, desejo a vc toda a felicidade do mundo, muita alegria ao lado de seus irmãozinhos, curta seu jardim querida, pule, brinque, coma muito, daqui para frente quem vai te cuidar é Deus, vc não poderia estar em melhores mãos.

Foram 50 dias de luta e vc ganhou querida, vc ganhou, mostrou força, dignidade, lutou e venceu.

Nunca vou esquecer de vc, de seu rostinho, de sua força e de sua vitória, querida!

Que Deus te guarde para sempre!

Te amo querida, me espere, um dia estarei aí com vc e quero muit senti-la em meus braços novamente.

Parabéns querida, vc é uma vencedora!

Muitos beijos a vc,
Mamãe

Mônica L Martins

Chorei

Chorei,
Vendo um animal brincar.
E nele descansei,
O meu olhar.
Chorei,
Vendo um animal em extinção.
E lutarei
Pela sua recuperação.
Chorei,
Ouvindo um gato miar.
E no coração gravei,
A sua forma de cantar.
Chorei,
Vendo um animal abandonado.
E o alimentei,
Com agrado.
Chorei,
Vendo um animal morrer.
E implorei,
Para ele não sofrer.
Chorei,
Vendo um animal ser maltratado,
E lutei,
Contra o malvado.
Chorei,
Por um animal invulgar.
E me encantei,
Com o seu uivar.
Sempre lutarei,
Por momentos especiais.
Sempre chorarei,
Pelos animais

--
A todo o protector,
Do meu lobo adorado.
Caro defensor.
O meu sincero obrigado.
Escuta!
São uivos!
Lutemos para ouvir este som no futuro.
O lobo merece!

Viviana Gonçalves

VADIO

Vadio.
Fez nascer um brilho no meu olhar,
Era pequeno e terno como uma flor.
Pensei que estava a sonhar,
Mas senti o seu calor.
O seu olhar era triste,
E fiquei a pensar:
Será que o seu dono existe,
Ou não tem onde ficar?
Coragem para o deixar,
Claro que não havia.
Comigo veio morar,
E pelo caminho, seu olhar já sorria!
Com o latir de cachorro,
Logo me fez perceber:
A fome era muita,
E precisava de comer.
Muitos anos já passara
E o Vadio continua aqui.
Nunca mais o maltrataram,
E todos os dias, o seu olhar sorri!

Viviana Gonçalves

terça-feira, agosto 07, 2007

Reactivação do Blogue

Vou cair em lugar comum dizendo que o tempo voa...
Certo é que hoje apercebi-me que passaram 10 meses desde a última publicação deste blogue.
O surgimento do novo site em conjunto com as novas frentes de batalha às quais tivemos de acorrer, colocaram em plano muito secundário este meio mais informal de divulgação da Aanifeira.
Pretendemos, no entanto, retomá-lo e coloca-lo em plano de destaque, até porque o pouco formalismo a que está obrigado, facilita o seu uso e permite geri-lo dentro do tempo disponível.

Aproveitamos o facto de termos recebido alguns textos e histórias de grande valia, para o relançamento do blogue. As publicações que se seguirão, pretendem não só partilhar com todos algumas formas de ser, estar e sentir, como também permite-nos identificar-nos com elas ou parte delas.
Esperemos que sejam do vosso agrado.

Victor Correia de Barros
Presidente

domingo, outubro 08, 2006

Aanifeira - Ventos de mudança

ESTA É A NOSSA OBRA - AJUDE-NOS A CONTINUA-LA

Caros amigos dos animais:

Venho pelo presente pedir a sua ajuda para a concretização de um projecto que se pretende sério e de continuidade.

Vou tentar transmitir um relato realista e desprovido de qualquer sentimentalismo ou auto comiseração. Tarefa nada facilitada pelo facto de sermos movidos pela paixão pelos animais. Também não pretendo escamotear qualquer realidade e por isso farei todo o esforço para dar a imagem tão real quanto me é possível.

Antes de mais gostaria de me apresentar. Meu nome é Victor Correia de Barros (algumas pessoas que estão a ler este e-mail já me conhecem destas “andanças”) e sou, desde Fevereiro do corrente, altura em que se realizaram as eleições da associação, Presidente da Aanifeira. Assumi o comando desta nau, juntamente com uma direcção totalmente renovada, com o compromisso sério de trabalhar, lutar e mudar por completo o rumo que esta associação estava a levar.

Quando entrei na Aanifeira pela primeira vez, o choque foi tremendo. Fui invadido por uma série de sentimentos... dor, revolta, tristeza, incredulidade, angústia... queria fechar os olhos e sair daquele cenário dantesco rapidamente, queria esquecer o que tinha visto, queria ignorar a existência daquele “gueto” ou campo de concentração...

No entanto, nos dias que se seguiram não fui deixado em paz pela minha consciência que me dizia que tinha de fazer algo. Sem saber muito bem o quê, comecei a ponderar a ideia de ser voluntário e tentar mudar algo.
Sempre acreditei que para haver mudança, é preciso inserção e participação. A posição cómoda de ficar de fora a criticar o que está mal e condenar quem tenta fazer algo, não se coaduna com a minha forma de ser e de estar.
O impulso final foi dado pela Lígia Santos da SOSAnimal. Tínhamos estabelecido o primeiro contacto há pouco tempo por força de um apelo feito por mim relativo a uma cadela de nome Mel. Foi a Mel que me levou a pedir ajuda e albergue à Aanifeira a qual fui buscar na semana seguinte por achar que não era justo tira-la da rua para a meter ali...
A Lígia predispôs-se a ajudar-me, colocando à disposição os recursos da SOSAnimal.

Aos poucos comecei a integrar-me e a trabalhar arduamente numa autêntica missão impossível. Por muitas palavras que utilize, jamais conseguirei descrever com o que me deparei à medida que ia avançando.
Dificuldades em tudo que tentava fazer e o número de animais não parava de crescer por força da contínua recolha, reprodução e resgate dos animais do canil municipal.

Por vezes o desespero era total. A vontade de desistir e voltar as costas era enorme. Para ter forças para continuar, comecei a dedicar-me a pequenas vitórias.
Com a ajuda da SOSAnimal iniciamos a divulgação pela Internet, criamos uma caixa de e-mail, páginas no site da SOS, participação em algumas Campanhas e Eventos. Esse trabalho traduziu-se no imediato no aumento em 200% do número de adopções sendo que a esmagadora maioria eram crias reproduzidas e nascidas na Aanifeira. Ou seja, não se estava propriamente a combater o problema mas antes a paliar dentro de portas e a propaga-lo fora destas.
Claro que nem tudo era mau ou errado! Foram feitas algumas acções dignas e estou ciente que a maioria dos animais adoptados estão bem e interferimos definitivamente para a mudança da vida deles.

Em Março de 2005 a Aanifeira bateu no fundo... As dívidas a fornecedores (nomeadamente de ração) avultaram-se e vimo-nos numa situação desesperada ao ponto de estarmos 4 dias sem um grão de ração para dar aos animais.
Na urgência e nos momentos de crise como este, é imperativa uma rápida intervenção e com a ajuda da Maria Pinto Teixeira, lançamos um “mega” apelo a nível nacional via internet que se estendeu à comunicação social – jornais, rádios e televisão relataram a grave situação em que a Aanifeira se encontrava. Foi ouvido e compreendido por diversas pessoas e entidades de todo o Portugal e no estrangeiro (França, Suíça, Alemanha, Japão, só para enumerar alguns), que de imediato nos fizeram chegar ajuda, nomeadamente em comida e dinheiro.
Havia uma questão complicada de ultrapassar por causa dos donativos, pois por questões legais não resolvidas, a associação não dispunha de conta bancária para receber donativos e a tesouraria estava um pouco tripartida... Um pouco a revelia, e também devido à urgência da situação, assumi a responsabilidade da tesouraria colocando à disposição a minha conta bancária e o meu NIB até se ultrapassar os problemas burocráticos.
Progressivamente e com a ajuda de muita gente conseguimos reunir verbas para liquidar algumas dívidas e criamos um banco alimentar que nos permitiu respirar um pouco e sair do imenso buraco em que estávamos metidos.

Foi o início da viragem!

Com toda esta situação começaram a surgir pessoas a querer ajudar mais um pouco e a formar um grupo de voluntariado.
Muitos foram os que chegaram, viram e não aguentaram. Não aguentaram as condições, o sofrimento, o trabalho...
Mas outros vieram e acreditaram que podiam fazer a diferença.
No início do Verão do ano passado, o grupo de voluntários então no activo e liderada por mim, fez pressão e impôs uma medida para que não fossem recolhidos mais animais. Um pouco após, a Câmara Municipal determinou que a Associação não poderia resgatar mais animais do canil por força de uma inspecção realizada.
Esta inspecção, apesar de colocar em causa a continuidade da Aanifeira, deu-nos força para lutar pela mudança que se impunha. Foi o tempo de organizar o grupo de trabalho e “forçar” a convocação de eleições para que estas alterações se efectivassem.

Estas alterações, no entanto, iniciaram-se uns meses antes das eleições com uma aposta clara na divulgação e na realização de campanhas e eventos.
Começaram a realizar-se não só a nível local, com a nossa presença mensal num hipermercado de Santa Maria da Feira, e em festas populares nas freguesias e concelhos limítrofes, como também a nível nacional, com presença em várias localidades onde nos era possível estar – FIL em Lisboa; Exponor no Porto; Exposalão na Batalha; Feiras de Leiria, Penafiel, Matosinhos, Cortegaça, etc.
Para dar um pouco mais de força à nossa imagem e credibilidade, convidamos algumas personalidades para apadrinharem a Aanifeira, que aceitaram de bom grado após (re)conhecerem o nosso esforço – Miguel Vieira (estilista), Sandra Cóias (modelo/actriz) e os EZ-Special (grupo musical).
Realizamos três festas com o intuito de divulgação e de angariação de fundos às quais denominamos a que passaria a ser a nossa marca comercial – Cats & Dogs – acrescentando o Party para a festa em questão – em S. João da Madeira (Citrus Bar), em Santa Maria da Feira (discoteca Maria.pt) e no Porto (discoteca Estado Novo).
Criamos uma linha de artigos para venda com a mesma marca – t-shirts e swets, lápis, canetas, pins…
Conseguimos espaços semanais em Jornais locais – Terras da Feira, Correio da Feira, O Labor e O Regional e alguns espaços esporádicos em jornais nacionais como o Jornal de Notícias, Correio da Manhã, 24 Horas e Destak.
Iniciamos algumas palestras de sensibilização em escolas e centros sociais.

Paralelamente a isso, fomos trabalhando também internamente, apesar de todas as dificuldades, problemas e obstáculos. Iniciamos alguns ciclos de esterilizações. Efectuamos pequenas obras de limpeza (o abrigo estava a entrar em degradação total) recorrendo a todos os recursos possíveis e imaginários para do pouco fazer muito. Destaco aqui a título de exemplos a solicitação que fizemos ao 3º Regimento de Engenharia de Espinho que efectuou um trabalho de limpeza extraordinário sob o signo de trabalho comunitário; e um grupo de jovens voluntários de Braga vieram à Aanifeira em duas ocasiões efectuando também eles todo um serviço de limpeza a fundo, pintura e algumas reparações – este grupo, não sei se por influência das visitas efectuadas à Aanifeira, acabaria por fundar uma associação na cidade de onde são oriundos – a ABRA e têm feito um trabalho absolutamente extraordinário.
Angariação de novos sócios, criação de um sistema de apadrinhamentos para quem não pode adoptar ou quer ajudar de uma outra forma.

Mas para as grandes mudanças terem lugar, era necessário haver uma nova liderança.
Ao longo deste tempo aqueles voluntários que foram ficando e acreditaram que poderiam fazer algo pela Aanifeira, acabaram por formar o núcleo duro da mesma. Desse núcleo nasceu um grupo que viria a formar a lista candidata à nova direcção da Aanifeira.

Sete meses após, é altura de efectuar um balanço, transmitir o que já foi feito e dizer o muito que ainda há para fazer.

O programa de acção desta direcção passava por três áreas – Burocrática, Divulgação e Campo. Em pouco mais de meio ano fizemos mais do que nos propúnhamos fazer no biénio do nosso mandado.

Burocracia – Regularizamos as situações fiscais e legais da associação. Além de passarmos a estar dentro da legalidade, esta situação permitiu-nos numa primeira abordagem a abertura de contas bancárias, algo pelo qual já vinha lutando há muito tempo porque a conta utilizada até então era a minha.
Posso já anunciar uma conta da Aanifeira aberta para onde poderão ser efectuados os donativos, pagamento de quotas e pagamentos do nosso “merchandising”, no BPI – 0010.0000.37320420001.24.
Esta “legalidade” também nos permite candidatar-nos a outros projectos nos quais já estamos a trabalhar e que em tempo oportuno serão comunicados.

Divulgação – Mantivemos as campanhas e eventos marcando presença em locais importantes e estratégicos. Além disso passamos a imprimir uma dinâmica muito pró-activa que nos trouxe muitos mais benefícios em termos de apoios e resultados em termos de divulgação.
Reforçamos as nossas posições nos jornais, procurando sempre a divulgação e sensibilização; estivemos a convite da RTP por 5 vezes nos programas “Praça da Alegria” e "
Portugal no Coração" e numa das vezes foi feito dois directos “in loco” nas instalações da Aanifeira; há cerca de um mês conseguimos um espaço numa rádio regional, em horário nobre. A rádio é a RCF – Rádio Clube da Feira, 104.7 F M do distrito de Aveiro (em alguns locais do distrito do Porto também é audível). O programa chama-se “O melhor amigo do cão” com transmissão à segunda-feira das 19 às 20 horas. O objectivo é o mesmo – sensibilização e divulgação.
Criamos um blog onde podem ser vistas algumas notícias da Aanifeira, entre as quais este relato na íntegra –
http://aanifeiranoticias.blogspot.com – e estamos a trabalhar no novo site da associação que se pretende mais dinâmico e rotativo.

Campo – o objectivo principal desta área e para a qual as duas anteriores estão vocacionadas, é proporcionar aos animais um local condigno e com as melhores condições possíveis. Naturalmente que este é um trabalho que nunca terá fim, porque é de facto nosso objectivo que os animais tenham cada vez mais e melhor.
Dentro deste pressuposto, existem duas vertentes.
A primeira, e preferencial, é que seja um local de passagem até o animal ser adoptado. Nesta passagem, pretende-se recuperar o animal do trauma do abandono e de eventuais problemas de saúde, apostando de seguida na sua divulgação para que tenha uma boa adopção.
A segunda vertente é para aqueles animais, que devido à sua condição – idade avançada, deficiência ou inestética (esta última naturalmente muito discutível) – nunca será adoptado. Como a prática da eutanásia na Aanifeira é último dos recursos e aplicável apenas e só quando o animal está em sofrimento e não há recuperação possível, haverão animais que serão residentes até ao fim dos seus dias. Então a nossa aposta passará por lhes oferecer o melhor que podemos e estiver ao nosso alcance para compensar a falta de um lar.
Para atingir estes objectivos a nossa aposta passa por algumas áreas de relevante importância.
A primeira passa forçosamente pela redução da população. É incomportável, pelos variadíssimos motivos, viver com uma sobrepopulação, a principalmente pelo espaço que os animais necessitam para terem alguma qualidade de vida. Do incrível número de 750 animais em meados do ano passado, passamos para o ainda não ideal 550 em Setembro do corrente. Ainda assim estamos longe do ideal (este número seriam à volta de 400 após finalização das obras). Conseguiu-se esta redução em primeiro porque recusamos determinantemente a entrada de animais, por muito dramáticas que sejam essas situações (e surgem diariamente) e por muito que nos doa bem fundo não poder acudir. A ajuda que nos propomos a dar é através da divulgação e das campanhas e já temos conseguido ajudar muitas pessoas que nos vêm pedir ajuda. Segundo porque conseguimos, apesar da muita dificuldade e à desordem ilógica em que os animais se encontravam, evitar quase a 100% o nascimento de crias. Terceiro devido às apostas na adopções bem sucedidas de adultos. E por último devido às razões da natureza que determina o prazo de vida dos seres vivos.
O grande objectivo da redução da população para os mínimos possíveis, tem em vista a Aanifeira poder voltar a cumprir propósito para que foi criada – recolher, albergar e tratar animais abandonados. Acreditem que ninguém quer mais isso do que nós! Só que neste momento é-nos impossível.
A segunda área da nossa aposta passa pela profilaxia e saúde dos animais. Para o efeito, contratamos profissionais da área Veterinária e estabelecemos protocolo com uma clínica veterinária.
Com este serviço na Aanifeira, os animais adoptados vão desparasitados, vacinados e com microchip, aplicando-se uma taxa de adopção. Mas isto é apenas o que é visível para o grande público, porque na verdade é uma pequeníssima parte do trabalho Veterinário que está a ser feito (apesar de o considerarmos muito importante para a saúde e segurança do animal adoptado).
Nestes 7 meses já esterilizamos mais de 90 animais (pode parecer um número não muito elevado comparativamente à população, mas é um esforço financeiro enorme para uma associação sem fins lucrativos, mesmo tendo um protocolo com a clínica que o reduz substancialmente), efectuaram-se algumas cirurgias de patologias graves e conseguiu-se controlar (ainda não erradicar, infelizmente) um flagelo que não sendo grave, afecta e prejudica pelos vários motivos – a sarna. Além de muitas outras situações, a presença de um olho clínico detecta muito mais facilmente patologias que um olho leigo não vê e isso tem-nos evitado males maiores.
A terceira área e talvez a mais importante de todas é as obras. Considero que nesta área foi a maior vitória desta direcção, contudo é aquela que nos coloca em maiores dificuldades financeiras.
Foi uma vitória da diplomacia. Se até então Câmara Municipal e Aanifeira estavam de costas voltadas, passaram a ter um relacionamento bastante cordial porque fomos capazes de demonstrar que queríamos fazer um trabalho sério e capaz. Naturalmente que a Câmara de Santa Maria da Feira, como muitas outras câmaras deste país, não vive numa situação económica desafogada e infelizmente para nós, e para muitos como nós, a causa animal não é prioritária. No entanto o Vereador do nosso pelouro encontrou alguns meios de ajudar, disponibilizando, ou encontrando pessoas que disponibilizassem, materiais de construção.
Foi também uma vitória de uma boa gestão económica. Os vários donativos que nos têm sido oferecidos, conjuntamente com algumas ofertas, nomeadamente de empresas de ração, mas também muitas outras ajudas conjuntamente com um sacrifício tremendo que tem sido feito, permitiram-nos dar um pequeno passo para pagar parte da sempre muito cara mão-de-obra.
Só que infelizmente é insuficiente…

Precisamos de mais. De muito mais para poder continuar a obra que foi feita até aqui, porque este impacto inicial é de elevada monta e por muito esforço que façamos e posso garantir que tem sido um esforço brutal, sozinhos nunca conseguiremos.

Precisamos da ajuda de todos e acredito que com essa ajuda conseguiremos concretizar o sonho de tornar a Aanifeira num local onde um animal tenha uma qualidade de vida tão próxima quanto possível de um lar.

O meu apelo vai nesse sentido e é dirigido a particulares e empresas que queiram fazer parte desse sonho.
A particulares que por muito pouco que a sua ajuda lhe possa parecer, pode fazer toda a diferença.
Às empresas endereço o convite de estabelecer parcerias que possam ser vantajosas, porque acredito que tanto a Aanifeira como aqueles que se juntarem a nós irão tirar dividendos num futuro não muito longínquo. Ficaremos muito honrados em publicitar parcerias e patrocínios, tanto no nosso site e e-mail como em todos os meios de comunicação que nos forem permitidos.

Termino este longo relato convidando a ver a nossa obra, ou através das fotos publicadas numa página do nosso e-mail cujo o endereço é o http://aanifeira.googlepages.com/home
, ou vindo visitar-nos pessoalmente na Zona Industrial de Mosteirô em Santa Maria da Feira.

Citando um membro da minha direcção – “Juntos podemos fazer a diferença”

Obrigado pela sua atenção

Victor Correia de Barros
Presidente

quinta-feira, outubro 05, 2006

Novo recibo da Aanifeira


Caros Sócios e Amigos da Aanifeira:

Este é o novo recibo da Aanifeira o qual deverão solicitar sempre que efectuarem um donativo, pagamento de quota, ou qualquer tipo de entrega em dinheiro.
Por favor ajude-nos a combater as fraudes contra quem usa o bom-nome desta associação em proveito próprio. Preferencialmente, efectue o seu pagamento da quota ou a sua entrega de donativo directamente à Aanifeira, enviando um cheque nominal à associação ou em alternativa efectuando transferência bancária para a conta da Aanifeira – 0010.0000.37320420001.24 do Banco BPI.
Gostaríamos de chamar a vossa especial atenção para o facto de haverem alguns dos nossos colaboradores que fazem pedidos de contribuição porta a porta e aos quais deverá ser pedida a identificação pois não irão munidos de recibos. Estes (recibos) serão enviados posteriormente por via correio num prazo máximo de uma semana. Se não receber o recibo dentro desse prazo, por favor entre em contacto connosco e forneça-nos a identificação da pessoa que recolheu o donativo ou quota.

Muito obrigado pela sua colaboração

Victor Correia de Barros
Presidente da Aanifeira

terça-feira, outubro 03, 2006

Acabar com as touradas...

As três visões sobre as touradas que se seguem já deveriam ter sido publicadas em tempo útil. Mas esse tempo é sempre actual e será sempre enquanto o último toureiro não abandonar os últimos instrumentos de tortura.

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No seguimento do vosso pedido de opinião relativamente às touradas, venho por este meio informar V. Exa. que pessoalmente (não se trata de uma posição enquanto Médico Veterinário Municipal) não sou grande aficcionado, nem nutro grande empatia por estes eventos.
No entanto, alegando tradição ou outros motivos, realizam-se estas concentrações, que devem sempre estar supervisionadas por um Médico Veterinário da escolha da organização e requeridas as licenças municipais e da Direcção Geral de Veterinária, garantindo as necessárias condições de alojamento e bem estar animal e o mínimo de sofrimento dos mesmos.

Com os melhores cumprimentos,

O Médico Veterinário Municipal,

Rui Jardim

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Pobreza de espírito
Não vejo razão para isto. Ainda assim, todos aplaudem. A tensão nervosa, a investida, a dor, o sangue... Os neuróticos serão todos atraídos para semelhantes actos? Devem ser. Mais uma estocada, mais sangue, mais aplausos.
Vamos todos às touradas. Ver bandarilhas a serem cravadas na carne de um animal que investe para se defender, porque não tem outra hipótese, porque só sairá da arena morto ou pronto para isso. E que tal as "estocadas de morte"? A espada "deveria" encontrar directamente o coração e mostrar, no fim de tanto tempo de sofrimento, alguma piedade. Mas quantas vezes se engana e trespassa os pulmões do animal, deixando que morra em agonia a sufocar com o seu próprio sangue? Mas isso não interessa. Mais sangue, mais dor = mais aplausos = mais dinheiro.
O Homem gosta do sofrimento alheio. Muitos portugueses parecem ser peritos nesse divertimento. Talvez porque só sintam que a sua miserabilidade só seja atenuada se virem ou sentirem algo pior. E quando essa miséria é pobreza de espírito, pouco há a fazer...
Rui Valente


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Artigo publicado n"O Regional" - Semanal de S. João da Madeira

Não se compreende que em pleno século XXI se continue a falar e a desenrolar “espectáculos” em que a TORTURA e o SANGUE de animais faz vibrar aqueles que a eles assistem e inclusive pagam para ter este prazer! Será que recuamos na máquina do tempo, uns séculos atrás, e fomos parar ás arenas da decadência do Império Romano? Como o próprio Presidente da Associação, Victor Barros afirmou “ 2000 anos após os circos Romanos, eís-nos perante a faceta mais vil do dito ser humano. Substitui-se os Cristãos pelos touros e mantém-se o mesmo espectáculo sangrento para gáudio de uma multidão sádica e ávida do sofrimento alheio. É inaceitável que em pleno século XXI esta decadência ainda possa ter espaço! Será que alguma da civilização portuguesa está a retroceder? Sim! Porque uma esmagadora maioria de portugueses já expressou em sondagens feitas, o seu total repúdio pelas bárbaras e sangrentas touradas, disseram NÃO aos toiros de morte!
As touradas desde há séculos que são condenadas por grandes figuras da história, citando o caso do Papa Pio V, que no ano de 1566 excomungou todos aqueles que praticassem ou assistissem a touradas. Já João Paulo II pontificou sobre a protecção dos animais por parte de todos os Cristãos. Para Ernest Hemingway, Prémio Nobel da Literatura, antigo aficionado, acabou por considerar que “ Nas touradas, logo à partida, tudo está preparado para massacrar o animal”. Já com um cariz mais próximo, mais familiar à Associação, os Padrinhos Ez Special, quiseram também eles marcar a sua posição relativamente a esta polémica temática, até porque são uma banda feirense e como é do conhecimento de alguns, no último dia 23 de Julho, realizou-se em Santa Maria da Feira e pela primeira vez, um espectáculo deste género! O 1º Grandioso Festival Taurino, assim o apelidaram, provocou o sofrimento em arena a 6 toiros! Para os músicos de Santa Maria da Feira, “As touradas, enquanto forma de espectáculo reflectem a necessidade de demonstrar a supremacia do Homem sobre o animal. Servem para nos lembrar que ainda há quem sinta a necessidade de provocar o sofrimento a animais para se sentir mais elevado e satisfeito. Aliás, não é novidade nenhuma, pois bem mais graves são os casos de sofrimento imposto no mundo, infligidos por pessoas sobre outras pessoas”. Os Padrinhos da Aanifeira são categóricos ao referir que “As touradas, enquanto documento histórico, servem para demonstrar como a humanidade tem evoluído tanto em tão pouco tempo, pois tem deixado de ser motivo para atracção popular, senão de alguns que ainda não entenderam a sua falta de pertinência ou justificação”!


Adília Matos Cardoso

domingo, agosto 06, 2006

O fim das touradas



Semana passada, foi publicada a opinião do Sr. Victor Barros, presidente da Associação Aanifeira, que foi muito elogiada e comentada pela positiva. Desde já agradeço a todas as pessoas que leram o artigo e tiveram a gentileza de nos telefonar agradecendo por termos tido a coragem de não ceder a pressões e dando-nos os parabéns, pela nossa forma de protesto ser desta maneira: inteligente, pacifica e verdadeira.
Esta semana, após alguns contactos feitos, conseguimos obter algumas opiniões de figuras publicas, dentre elas os nossos queridos padrinhos Ez Special, que mais uma vez, estão ao nosso lado, e não tem problemas alguns em dizerem o que pensam em relação as touradas.
Ez Special, o nosso muito obrigado pela vossa atenção e cuidado para com os animais. Embora muito ocupados, não deixaram de dizer, escrever umas palavrinhas. Parabéns! Vocês são um exemplo a seguir.

Aqui segue a posição dos EZ Special quanto às touradas:

“As touradas são uma óptima forma de nos lembrarmos que o passado já lá vai.
Enquanto documento histórico, servem para demonstrar como a humanidade tem evoluído tanto em tão pouco tempo, pois têm deixado de ser motivo para atracção popular, senão de alguns que ainda não entenderam a sua falta de pertinência ou justificação.
Enquanto forma de espectáculo que reflecte a necessidade de demonstração da supremacia do homem sobre o animal, as touradas servem para nos lembrar que ainda há quem sinta a necessidade de provocar o sofrimento a animais para se poder sentir mais elevado e satisfeito. Não é novidade nenhuma, pois bem mais graves são os casos de sofrimento imposto no mundo, infligidos por pessoas sobre outras pessoas.
A expressão através da Arte é uma nobre característica humana. Os espectáculos são uma das formas de expressão artística e têm contribuído, ao longo dos tempos, para a evolução das consciências críticas e da própria humanidade. Consequentemente, servem também como registo histórico das mais elementares motivações humanas através dos tempos.
Ou seja, a falência das touradas enquanto fenómeno social, e o seu actual enquadramento, que pressupõe a sua defesa apenas com recurso ao que alguns chamam de "tradição", leva-nos a bater palmas. O fim das touradas, esse sim, é um espectáculo digno de se ver.”

Palavras para que? Resta-me deixar os nossos sites
e o nosso novo blog
visite e dê a sua opinião, deixe o seu comentário , e ajudem-nos a ajuda-los!
Também fica aqui uma forma nova de ajudar a Aanifeira, se comprar qualquer artigo através deste link
estará ajudando a Aanifeira a conseguir fundos para terminar as suas obras de reestruturação do seu albergue canino. Por favor, não deixe de nos ajudar! A responsabilidade é de todos!
Nossos contactos: 962862590/961912996
Até para a semana se Deus quiser
Ângela Quaresma

sexta-feira, julho 28, 2006

Viagem Medieval em Terras de Santa Maria

Quis o destino que este blog fosse criado numa altura em que decorreu um acontecimento muito triste na história do concelho sede desta Associação. Não será forma certamente a melhor forma de iniciar um blog, mas certos timings não são por nós demarcados e porque é imperativo que uma Associação de defesa dos direitos dos animais grite em defesa deles, manda a nossa consciência que se processe assim...
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Viagem Medieval em Terras de Santa Maria


"No final desta semana irá dar início na cidade de Santa Maria da Feira a edição de 2006 da Viagem Medieval.
Aos poucos, este acontecimento cultural está a tornar-se um dos mais importantes desta cidade e a transformar-se numa tradição ao nível da Festa das Fogaceiras (salve-se as diferenças).
Neste evento, pretende recrear as realidades de épocas passadas, desde os tempos em que D. Afonso Henriques andava à conquista e expansão do reino de Portugal, até à época dos descobrimentos.
Tempos românticos dos cavaleiros e princesas, castelos e reinos, dos torneios e arraiais.
Mas igualmente tempos tormentosos das pestes e guerras, da inquisição e queimas de bruxas, de injustiças e execuções públicas.

Umas das facetas desse tempo era o chamado Sítio dos Tormentos onde “a justiça medieval tinha na praça o seu local favorito. Empicotamento, açoites, entreamento de mulheres “bravas” e mesmo as mutilações, eram castigos banais efectuados em praça pública.
Os criminosos de braços ao pescoço e mãos atadas, faziam um percurso pelas ruas do burgo, acompanhados de um pregoeiro que anunciava a sentença. Os justiciados eram sujeitos a um interrogatório, muitas vezes acompanhado de torturas e castigos, procurando desta forma, obter a prova da sua culpabilidade.

Tempos onde quem roubava um pão para matar a fome que o atormentava, era imediatamente condenado à forca, tivesse 7 ou 77 anos. Tempos onde a nobreza e o clero competiam e partilhavam entre si o reino e o povo. Tempos onde os senhores feudais punham e dispunham dos seus súbditos, explorando a sua mão-de-obra e violava os seus filhos, coisas que hoje em dia, creio, que todos unanimemente abominamos.

Tradições de outros tempos que felizmente foram desaparecendo paralelamente à evolução do ser humano e que hoje fazem parte da memória de uma sociedade e que são revividas e que são encenadas de forma a retratar o mais verosímil possível essa época.

Em tempos que já lá vão – nos tempos de nossos avós – maltratar um animal não causava remorsos à maioria das pessoas.
A geração seguinte já cresceu na crença que os animais também sentem e devem ser respeitados.
Um pouco após uma década do meu nascimento, era proclamada pela UNESCO e aprovada pela ONU, a Declaração Universal dos Direitos dos Animais onde se considera logo abrir que “TODO o animal possui direitos” e ao longo de toda a Declaração refere que estes têm de ser respeitados.

Esta Declaração foi aceite e tornada Lei na esmagadora maioria dos países que da ONU fazem parte. Alguns países, cuja população é por todos os aspectos considerada mais evoluída, não só a tornaram Lei, como a cumprem e fazem-na cumprir escrupulosamente.

Infelizmente países como Portugal, cuja evolução parece ter estagnado na Época Medieval, apenas se limitam a fazer leis decorativas, ou pior ainda, aprovar leis que vão contra uma Declaração também por nós ratificada e aprovada, pois Portugal também faz parte destes dois organismos – UNESCO e ONU.

Diz o Artigo 10º desta declaração:
“1. Nenhum animal deve de ser explorado para divertimento do homem.
2. As exibições de animais e os espectáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal.”

Os “espectáculos” tauromáquicos são, vergonhosamente, autorizados pela legislação em vigor neste país. Uma legislação à margem da lei geral de protecção animal.
A justificação para a existência dessa excepção, prende-se com o facto de essa barbárie fazer parte da “tradição” portuguesa.
Excepção que vai contra todos os princípios da Declaração Universal dos Direitos dos Animais, nomeadamente no descrito no Artigo 3º:
“1. Nenhum animal será submetido nem a maus-tratos nem a actos cruéis.
2. Se for necessário matar um animal, ele deve de ser morto instantaneamente, sem dor e de modo a não provocar-lhe angústia.”
As touradas são a antítese deste artigo...
O touro é sujeito a actos cruéis e a maus-tratos desde a mais terna idade até à entrada na arena. Aí a crueldade intensifica-se e ele é morto lenta e dolorosamente, angustiando e ansiando a morte, que na esmagadora maioria das vezes apenas ocorre muitas horas após a saída da arena.

Injustificadamente esta tradição manteve-se e mantém-se no sul do país, fazendo prevalecer a vontade de uma boa meia dúzia de “senhores” poderosos, em tudo fazendo lembrar os senhores feudais da época medieval.

Inqualificáveis são as tentativas de alargar essa “tradição” a todo o território nacional, sob o olhar passivo de quem tem o poder para intervir e não o faz.

Domingo, 23 de Julho de 2006, foi um dia de vergonha e decadência para a cidade de Santa Maria da Feira.

Não sou Feirense e há poucos anos que frequento esta cidade. Mas neste pouco tempo como voluntário e há menos tempo como Presidente de uma Associação de defesa e protecção animal, julgo poder falar com toda a propriedade deste acontecimento que julgo ter sido o primeiro na história deste concelho.
Tenho a plena certeza que à esmagadora maioria dos feirenses passou ao lado este triste acontecimento. A mesma certeza prevalece que, contrariamente ao grupo recreativo organizador deste degradante evento, as pessoas desta cidade repudiam esta forma brutal de violência só comparada aos circos romanos do início da era Cristã.
As minhas certezas são confirmadas pelo secretismo com que a organização planeou tudo isto, havendo mesmo desconhecimento por parte da maioria das autoridades até à última hora.
Da parte da Aanifeira só tivemos conhecimento dois dias antes do mesmo. Cartazes muito tímidos espalhados em alguns pontos da cidade, como que anunciar uma execução pública de uma pobre alma condenada ao inferno.

Fomos tentados a agir, a protestar, a tentar por todos os meios evitar que esta barbárie se processasse. A minha vontade como cidadão comum, como amante da Vida e dos animais seria montar porta de armas na Zona Industrial do Roligo, em Espargo e impedir com todas as forças que os carrascos executassem a tortura para o qual tinham sido contratados.
No entanto, e porque lidamos diariamente com abandono e maus-tratos de animais, sabemos que o caminho não é, nem pode ser esse.

A nossa missão é consciencializar, alertar e precaver!

É nesse sentido e porque acreditamos na “vox populis” que optamos por dar voz às pessoas para que manifestem publicamente a sua opinião, abrir uma discussão pública para que de uma vez por todas a população portuguesa entre em definitivo no século XXI, e que as touradas façam parte de um passado tão longínquo como o é a Viagem Medieval."

Victor Correia de Barros


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Notícias da Aanifeira


A partir de hoje iremos começar a utilizar este Blog para dar conta de todas as notícias da Aanifeira. As nossas actividades, campanhas, eventos, adopções, apadrinhamentos, voluntariado, obras, informações de carácter geral, enfim, um sem número de acontecimentos relacionados com a Aanifeira e com um único objectivo...
Salvar animais.
Para isso precisamos da sua ajuda!
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